Imagem do dia – Erosão costeira e depósitos sedimentares em Cortegaça

Foto (c) Pedro Andrade

A foto de hoje foi tirada perto da praia de Cortegaça, entre Ovar e Espinho. Esta zona do litoral português, entre Vila Nova de Gaia e Aveiro, é muito fustigada pela erosão costeira, sobretudo entre Espinho e Furadouro. A construção exagerada mesmo junto ao mar, por cima das dunas, limitou a acção protectora destas da acção erosiva do mar, e o remendo teve que ser construir uma série de obras como paredões ou esporões. Apesar de serem a melhor solução de recurso nas circunstâncias actuais, estão longe de serem a solução ideal: estas obras alteram a dinâmica sedimentar no local onde estão inseridas, promovendo a deposição de sedimentos de um lado da estrutura (defendendo esse lado da erosão), o que leva a um défice de sedimento no outro lado, o que faz com que o mar esteja livre para remover sedimentos sem haver reposição.

Em algumas partes desta zona costeira, como nas praias de Cortegaça e S. Pedro de Maceda, isto significa que o mar está a avançar sobre a costa. Se quisermos encontrar um ponto positivo, pensemos que ao menos isto tem deixado a descoberto depósitos sedimentares em consolidação, que testemunham a evolução da costa nesta região nos últimos milhares de anos. Facilmente vemos a alternância entre níveis mais claros, arenosos, que revelam um tempo em que na praia existiam dunas, com níveis mais escuros, argilosos, que mostram que nesta área já existiram lagunas costeiras que poderiam ter surgido por subidas no nível do mar ou por desenvolvimento de um clima mais húmido, permitindo a instalação de um corpo de água no meio das dunas, um pouco à semelhança da actual Lagoa de Paramos.

Para além de uma janela para o passado recente de Cortegaça, o facto de estes depósitos estarem ainda em processo de consolidação mostra-nos como uma rocha sedimentar se forma, por isso podemos pensar neles também como uma janela para o futuro! Que poderá estar comprometida, se não for impedida a contínua erosão destes depósitos devido à acção humana…

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Referências

– Araújo, M.A., (1986) – “Depósitos eólicos e lagunares fósseis na região de Esmoriz” – Revista daFaculdade de Letras – Geografia, I Série, Vol. II, Porto, , p. 53-62. (link)

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