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A nossa casa. Este filme de 2009 parece-me uma boa introdução à nossa casa, a Terra, com um pouco da sua história mas sobretudo um retrato de como ela está agora, o bom e o mau. Tanto para o bom como para o mau é difícil ficar indiferente à enorme variedade que encontramos neste planeta que nem é muito grande: glaciares, florestas, montanhas, desertos, grandes cidades, pequenas vilas, campos agrícolas, rios, pradarias, ilhas… cada um com uma história diferente, com habitantes diferentes, cada um com a sua história particular.

E nós, “apenas” mais um habitante entre outros. A noção de que a Natureza está em equilíbrio perfeito não é muito correcta: os nossos ecossistemas estão em constante desequilíbrio, há medida que ocorrem pequenas mudanças no clima, nos seres vivos que neles habitam ou outras perturbações mais-ou-menos passageiras. Mas estes desequilíbrios são geralmente localizados ou desenvolvem-se durante um longo período de tempo, permitindo que os organismos e os ecossistemas se possam adaptar gradualmente, sem um grande risco de ruptura global. Desequilíbrios rápidos, como uma cheia, um fogo, uma erupção vulcânica ou a queda de uma simples árvore numa floresta (o habitat para muitas formas de vida), ou mesmo desequilíbrios maiores como o movimento dos continentes, as glaciações, a formação de montanhas ou a sucessão ecológica, dão-se a uma escala ou a um ritmo suportável. Obviamente isto nem sempre acontece, como já vimos no caso da grande extinção do final do Pérmico, mas casos destes não são tão comuns quanto isso na história do nosso planeta, pelo menos numa escala temporal que nos devesse preocupar de forma imediata.

No entanto, a forma como estamos a explorar os recursos do nosso planeta é preocupante. O número de pessoas que existem no nosso planeta é preocupante. Segundo as estimativas mais recentes, hoje nascerá o habitante número 7 mil milhões. Ainda me lembro de quando o número era 6 mil milhões. E depois 6,5 mil milhões. São muitas pessoas, cada uma a precisar de comer, de sítio para dormir, com aspirações a uma vida melhor, mesmo quando para muitos a vida proporciona muito mais do que seria necessário para vivermos bem. Consumimos cada vez mais e mais, e com isso temos que explorar os recursos do nosso planeta, mais e mais.

Parece que vivemos numa ilusão, num grande sonho de conquistas. Para mim o melhor exemplo disto, e no filme mostra-se isso muito bem, são países como o Dubai, que vendo-se na posse de uma grande riqueza (monetária, neste caso), esbanja-a na construção de uma ilusão. Uma metrópole no deserto, o maior arranha-céus do mundo, ilhas artificiais em forma de palmeira. Dinheiro que podia ser aproveitado para planear um futuro melhor é usado para demonstrar uma “grandiosidade” artificial, efémera, porque nada disto durará para sempre quando recursos esgotáveis como metais ou o petróleo começarem a escassear.

E depois, que fazemos? Mudamos de estilo de vida? Todos os 7, 8 ou 9 mil milhões? Será que a nossa casa aguenta tanta gente a lutar por um lugar? Não é propriamente legítimo dizer às populações nos países infraestruturalmente menos desenvolvidos para pararem os seus esforços de desenvolvimento, para não almejarem os níveis de conforto dos países ditos desenvolvidos. Que soluções temos para o futuro? Não falo de um futuro a curto prazo, não falo dos problemas que a troika nos traz (não que não sejam preocupantes), mas o que espera a humanidade daqui a 100 anos? 200? 500? 1000? E se considerarmos ainda os problemas do aquecimento global, da destruição de habitats, da perda de solos, da proliferação de exóticas e da perda de biodiversidade, que futuro estamos a construir para nós próprios?

Não será o fim do mundo. Sempre achei que conhecer, pelo menos razoavelmente, o passado distante do nosso planeta ajuda-nos a ter uma melhor perspectiva do futuro longínquo. Se não mudarmos para um modo de vida sustentável, e a nossa aventura humana terminar nos próximos séculos ou milénios, daqui a 10 ou 20 milhões de anos poucas marcas restarão da nossa passagem pelo planeta azul. Até às catástrofes pérmicas e cretácicas o nosso planeta e a sua vida resistiram, por isso resistirão novamente a esta crise, mesmo que os seus representantes actuais estejam na linha de fogo. Daqui a cerca de 250 milhões de anos os continentes juntar-se-ão de novo para formar um novo supercontinente, a Pangea Ultima. E nessa altura pouco mais seremos que uma distante memória de uma espécie linda, fantástica, mas demasiado sofisticada para se conseguir sustentar.

Da próxima vez que ouvirem dizer que é preciso salvar o planeta, traduzam isso da seguinte maneira: somos nós que precisamos de salvação. E dependemos de nós próprios.

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