Imagem do dia – Ovos de gaivota-de-patas-amarelas

Foto (c) Pedro Andrade

Os habitantes das cidades costeiras em Portugal não terão grandes dúvidas: o número de gaivotas está em franco crescimento. A espécie em questão é a gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis), que junto à costa é apenas mais uma de várias espécies de gaivota (outras comuns são a gaivota-d’asa-escura ou o guincho), mas que nos últimos anos, em especial nas grandes cidades da costa mas não só, indivíduos da espécie têm começado a aventurar-se cada vez mais para os meios urbanos, nidificando nos telhados de casas e prédios (como é o caso da foto, de um ninho com dois ovos no terraço de um prédio no Porto).

Em condições naturais a gaivota-de-patas-amarelas nidifica em colónias (mas não sempre) ao longo de toda a costa portuguesa, sobretudo para Sul do Cabo Carvoeiro, sendo a colónia mais importante a das Berlengas, e sendo deste local que mais estudos se fizeram sobre a sua biologia reprodutiva. Nidifica sobretudo em zonas rochosas (e por isso talvez se adapte tão bem à nidificação em edifícios), e dados das Berlengas indicam um período reprodutor que se estende de Fevereiro (quando começa a definição  de territórios de nidificação) até Julho (quando nascem os últimos juvenis). Em média são postos entre 2 a 3 ovos (o ninho na foto tinha dois), que demoram pouco menos de 30 dias a eclodir.

A expansão populacional recente desta espécie no nosso país, sobretudo nos grandes centros urbanos, poderá estar relacionada com vários factores. Por um lado, a espécie é tudo menos esquisita quando se trata de arranjar alimento, sendo comum vê-las em lixeiras ou mesmo no meio da cidade a alimentar-se perto de caixotes do lixo, aproveitando os abundantes restos alimentares desperdiçados pelas pessoas. Junto aos portos, é comum também as gaivotas alimentarem-se do peixe desperdiçado pelos pescadores. Outro factor importante pode ser a perda da tradição da apanha dos ovos de gaivota: até meados do século XX era comum as comunidades locais dedicarem-se à exploração deste recurso, mas com o abandono desta actividade as gaivotas-de-patas-amarelas deixaram de ter mais uma fonte de pressão que ajudava a controlar os efectivos populacionais.

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Actualização a 26/06/2012 – hoje fui visitar este ninho e uma das crias já eclodiu, e anda toda contente pelo terraço do meu prédio. O outro ovo ainda está por eclodir, por isso provavelmente essa cria já morreu.

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Referências

– Catry, P., Costa, H., Elias, G. e Matias, R. (2010) Aves de Portugal – ornitologia do território continental. Assírio & Alvim

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